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Sites sobre poetas/poesia especialmente em América.

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Festival Internacional de poesia em Dois Córregos- São Paulo

Festival reúne poetas brasileiros e estrangeiros na cidade que já ganhou fama de ‘capital da poesia’

Dois Córregos traz em junho o chileno Raul Zurita, a argentina Graciela Wencelblat e o brasileiro Arnaldo Antunes em evento com o tema ‘Por um mundo mais poético’

Dois Córregos, 20/05/2008 – A segunda edição do Festival Internacional de Poesia de Dois Córregos acontece nos dias 13, 14 e 15 de junho e vem para confirmar a fama da cidade de ‘capital da poesia’. Promovido pela Prefeitura Municipal e pelo Instituto Usina de Sonhos, o festival realizará 16 atividades, entre palestras, mesas redondas, apresentações artísticas e saraus em torno do tema ‘Por um mundo mais poético’. O objetivo é discutir o lugar da poesia na vida moderna e como ela pode modificar visões de mundo.

Dois Córregos, localizada no centro do Estado, tem cerca de 25 mil habitantes e há dois anos passou a promover a inclusão cultural por meio da poesia, por meio do projeto EntreVersos. A iniciativa apóia a produção de textos poéticos em escolas, indústrias, comércio, zona rural e penitenciária da cidade. O sucesso foi tão grande que culminou na edição do primeiro festival, realizado no ano passado. O II Festival traz agora novas atrações.

Na programação, palestras com Raul Zurita, poeta chileno premiado que participará do Festival Internacional de Literatura de Berlim deste ano; Graciela Wencelblat, poetisa argentina com publicações traduzidas para o português e francês; Arnaldo Antunes, cantor, compositor, músico e poeta; Rafael Raposo, ator principal do filme em homenagem a Noel Rosa, ‘Poeta da Vila’, além de mesas redondas com estudiosos. ‘As discussões deverão nos mostrar como a poesia pode mudar comportamentos, enriquecer a alma e criar uma cultura mais expressiva e aberta’, diz o empresário José Eduardo Mendes Camargo, fundador e presidente do Instituto Usina de Sonhos.

Além de idealizador do projeto Entre Versos, que contaminou a cidade, Camargo também é empresário e vice-presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).

Palestras e discussões

O evento começa no dia 13 com jantar de abertura e sarau. No dia 14, após abertura oficial, a poetisa argentina Graciela Wencelblat apresenta palestra sobre ‘A inquietude da poesia’, seguida de painéis sobre poesia nas escolas, poesia em outros segmentos sociais e centenário da morte de Machado de Assis. Em seguida, acontece uma sessão de declamações e depoimentos de participantes do projeto EntreVersos. A poetisa e educadora Teruko Oda encerra a manhã com uma palestra sobre haikai – forma poética de origem japonesa que valoriza a coesão e objetividade.

Na tarde do dia 14, o conferencista Fábio Lucas, da Academia Paulista de Letras (APL), fala sobre poesia moderna, seguido de uma mesa redonda comandada por Levi Bucalem Ferrari, presidente da União Brasileira dos Escritores (UBE). Após um intervalo, o ator Rafael Raposo fala sobre sua participação no filme ‘Poeta da Vila’ (do diretor Ricardo Van Steen), em que encarnou o compositor Noel Rosa, papel pelo qual foi reconhecido como ‘Ator do Ano’ pelo SESI de São Paulo. A programação do dia se encerra com apresentações de poesia popular.

Na manhã do dia 15, uma palestra sobre ‘Espiritualidade na poesia’, com Ulisses Riedel, abre a programação, seguida de uma palestra do o poeta, cantor e compositor Arnaldo Antunes, falando sobre ‘Poesia e Literatura’. Quem fecha a programação é o poeta chileno Raul Zurita, que apresentará trechos de sua obra ‘A Nova Vida’. Às 12h haverá uma apresentação da Banda do SESI de Limeira, seguida de almoço.

Projeto EntreVersos

Lançado em dezembro de 2006, o projeto EntreVersos conseguiu, com sucesso, envolver a população de Dois Córregos. A idéia era estimular a leitura e livre expressão da criatividade artística em diversos segmentos sociais, proporcionando ainda o surgimento de novos talentos.

O projeto ajudou a transformar a cidade. Professores da Rede Pública de Ensino envolvem seus alunos com poesia. Nas indústrias, funcionários têm espaços para a criação e discussão de poemas, que depois são publicados em murais.

Por meio do EntreVersos, com apoio das autoridades locais, as reeducandas da Casa de Detenção da cidade escrevem sobre suas experiências e manifestam seus sentimentos por meio da poesia. Depois, publicam os textos nos jornais da cidade. Nos canaviais e nas plantações, agricultores declamam poemas que eles mesmos escrevem.

Instituto Usina de Sonhos

Fundado em agosto de 1995 em Dois Córregos (SP), o Instituto Usina de Sonhos tem como missão transformar a sociedade por meio da linguagem poética, instituindo a cultura da paz e da não-violência. Para isso, busca envolver autoridades, instituições sociais e a comunidade em parcerias e projetos voltados à arte-educação, integrando atividades culturais ao ensino nas escolas, incentivando formas variadas de expressão da criatividade e promovendo o interesse por estudos literários e poéticos. Dessa forma, o instituto valoriza ações positivas que ajudem na construção de uma sociedade mais democrática.

A Usina de Sonhos e seus projetos têm o reconhecimento da Abrinq (Associação Brasileira de Brinquedos) e da Unesco – Órgão das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Cultura.

Mais informações:
Com Texto Comunicação & Marketing
Murilo Barbosa – Assessor de Imprensa
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16 9192 9775
murilo@ctexto.com.br
http://www.ctexto.com.br/

Fontes:
Colaboração de Douglas Lara, in Acontece em Sorocaba, www.sorocaba.com.br/acontece
http://www.panoramio.com/ (imagem)

https://nuhtaradahab.wordpress.com/2008/05/21/festival-internacional-de-poesia-de-dois-corregos-sp/

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FLORIANO MARTINS | Dois encontros com Maria Lúcia Dal Farra

1 | O tempero da existência

Três expressivos livros de poemas – Alumbramos (2012), Livro de possuídos (2002) e Livro de auras (1994) – e o esplendor de uma poesia intrigante pela serenidade com que mergulha na reflexão do mundo que a habita, íntima e exteriormente. Maria Lúcia Dal Farra (1944) é uma sábia ausente da cena literária, sem que isto implique no desconhecimento de seus artifícios. Vivendo há anos em Sergipe, guiada por uma intensa sintonia com o cotidiano, seu espírito resplende aquele ensinamento alquímico evocado por Juan-Eduardo Cirlot, de que em todo labor, mesmo no mais humilde, as virtudes se exercitam, o ânimo se tempera, o ser evolui. Temperados justamente pela grandeza de sua humildade, nós nos sentamos para uma deliciosa conversa.

FM | Comecemos pelo alumbramento. Com quem dialoga a poesia de Maria Lúcia Dal Farra? Quais as fontes de teu alumbramento?

MLDF | Essa história das luzes é uma mania antiga da minha poesia (sou leitora de Bandeira desde os tenros anos) e ao mesmo tempo uma tortura. Pra começar pelos fundamentos, ou seja, pelo meu corpo, tenho uma cegueira periódica que ocorre a partir de um ponto luminoso que se instaura no meu campo de visão sem mais nem menos, como se uma auréola muito poderosa crescesse da cabeça de uma Madonna medieval que se manifestasse na minha frente e se expandisse por toda a minha órbita visual, preenchendo-a. Fico então sem enxergar nada, a não ser essa potente luz (por muitos e longos minutos) até que ela atravesse de lado a lado a abóbada e cumpra o seu percurso. Como vê, encegueiramentos e alumbramentos são coisas do arco-da-velha na minha vida primária.

Mas não foi por isso que o meu primeiro volume de poemas chamou-se Livro de auras – se bem que entre corpo e espírito o elo seja tão cerrado que tudo se passe sem o nosso entendimento. Leitora de Walter Benjamin há tempos, eu buscava deliberada e desesperadamente (na década de 1990) lutar contra a histórica perda da aura (das coisas e do poeta) para encetar uma comunicação com o leitor que nos fizesse, a mim e a ele, reaver (para comungar) uma unicidade impossível. Era um esforço louco, baldado e urgente, num tempo em que o mundo que conhecia desabava: de um lado porque eu sofrera o mais duro golpe da existência; de outro, porque todos entrávamos na tal da pós-modernidade líquida e vertiginosa onde tudo já é outra coisa.

É verdade que isso vinha acontecendo paulatinamente na minha história subterrânea, porque antes de publicar tão tarde esse livro inaugural (aos 50 anos, em 1994), eu escrevera (desde muito cedo e ao longo da minha vida) sete outros que restavam e restam mudos e surdos – visto que não tocados por ninguém. Na carência de leitor, a minha poesia solitária parecia prestes a desembocar num ilegível absoluto, e foi assim que resolvi tomar, contra toda a evidência, aquele caminho para tentar falar com alguém. Abandonei tudo o que havia escrito até então e me botei na empreitada de escrever um novo livro (publicável) e que, em princípio, me salvaria. (Quem, se eu gritar, me atenderia nesse turbilhão de vozes?) Não me salvei e nem a ninguém; minha aura espatifou-se quando tentei levitar como os anjos de Rilke. Mas o esforço valeu.

A experiência de estraçalhamento me mostrou que talvez fosse mais seguro (pelo menos para ter chão aonde pisar) conversar mais cerradamente com os meus pares: os poetas mortos. Eles sempre foram os meus interlocutores, as obras com quem falo. De resto, para além deles, dirijo-me desde então a um elenco de pessoas com quem suponho estar entrando em diálogo (repare como os meus poemas são repletos de dedicatórias); e, depois, a toda a gente que bote os olhos em cima da minha escrita. O fato é que não tenho ilusões: possuo pouquíssimos leitores vivos, e isso é bom porque escrevo mesmo para alguns, sobretudo hoje que a medida é a massa.

A fonte do meu alumbramento é, pois, o outro; aquilo que o outro me traz de luz para qualquer tipo de conhecimento que possa realizar na escrita de um poema, quando tento desvendá-lo ou trazê-lo para mim.

FM | Há uma distinção possível entre o poeta e o poema?

MLDF | Transforma-se o amador na coisa amada…

FM | Eu gostaria de me referir ao universo da crítica de poesia no Brasil, porém este universo é inexistente. Em seu lugar, o que temos, e muito ocasionalmente, são anotações dispersas, de cunho jornalístico, que tocam mais o pitoresco do que propriamente o essencial sempre que remetem a algum poeta. O ambiente de pesquisa acadêmica é igualmente desalentador. Evidente que não escrevemos para atender a essas vertentes. No entanto, cabe indagar: considerando os personagens envolvidos, quem não está desempenhando bem o seu papel?

MLDF | De verdade mesmo escrevemos para ninguém, pelo menos para ninguém que nos ouça ou que nos leia – escrevemos sempre para quem ali não está e que, se estivesse, não se encontraria onde supomos que pudesse estar. A poesia nasce desse desencontro jamais resolvido e essa é a maneira de ela se projetar para adiante – porque procura aquele que ainda não há. A rigor, portanto, era bom que o crítico ocupasse esse lugar des-sabido e errático (pelo menos por alguns instantes) nem que fosse dentro da máscara de um “hypocrite lecteur” baudelaireano (que, aliás, nesta versão da modernidade, data pelo menos de 1848 – donde se vê que o espaço vazio é antigo).

Mas não dá para falar, a não ser raramente, em existência de crítica de poesia no nosso país, e desde há largos anos. Para referir minha experiência própria, desde muito jovem eu lia aquilo que se produzia no Brasil (e também lá fora) através do Suplemento Literário de Minas e do Estadão – mas esse mundo já acabou. Será que em algum lugar da internet isso ainda se asila? De que maneira? Vejo (algumas vezes) que blogueiros se conectam (intuitivamente, suponho) em algum poema que lhes cai nas mãos, e passam a exibi-lo e a dividi-lo com quem os visita. Creio que não saibam bem do que se trata. São (digamos) tocados por seu súbito raio de inusitado e o divulgam porque aquilo se afina de alguma maneira com eles, graças a esse raspão hipnótico com que o poema os fende. Quero crer (que mesmo assim minimamente) o senso crítico desse leitor transparece esbatido aí, mercê desse insight ocasional que fica embutido na sua escolha (implicitado nela), o que já é, nestes tempos de calamidade, pra lá de bom. Talvez seja por aí que a poesia faça o seu passe e avance para outro e outro leitor até que encontre aquele que a invente. Aliás, a minha poesia tem tido a alegria de conhecer alguns desses passageiros de lumes, sobretudo no meio acadêmico e junto a meus pares.

Acho, por outro lado, que a gente poderia, se quisesse, escrever aquilo que o mercado pede (tratar a obra como mercadoria) e então faríamos o maior sucesso, teríamos “críticas” condizentes e ganharíamos dinheiro. Mas pra quê? Para que andar na mão se a gente pode obter um prazer desmesurado seguindo em contrapelo? Para que ler Elisa Lucinda se se pode ler Cecília Meireles? A poesia só existe quando se coloca contra a linguagem que vigora, cavando frestas por onde significar outra coisa que ela mesma ainda nem sabe o que é. E só há um jeito de viver isso: no impasse. Porque não é só uma questão de contenda sempre armada entre o poema e o seu leitor. Mas de uma luta engalfinhada entre o que a poesia busca produzir e aquilo que suas leis de produção lhe permitem ou não ultrapassar enquanto fatores constitutivos da comunidade da qual ela emerge e com quem dialoga. Muito embora em trânsito permanente, esse mecanismo de mercado só sossega se domá-la, ávido por abocanhá-la como sua presa, pasteurizando-a em definitivo. Fugir desse sequestro, enfrentá-lo no texto, situa a poesia nesse impasse de que falo, pois que o ato poético, na impossibilidade do heroísmo que redundaria inócuo, não pode ceder à contraparte cínica contida no desejo de se realizar.

O fato é que, assim, o ato poético parece fadado ao suicídio. Porque manter-se nesse limiar beligerante e perigoso, em estado de periclitância entre um e outro valor, em equilíbrio para a criação de uma linguagem que, obrigada a fazer concessões, não as autentica – é o que parece ser o impossível e legítimo ofício do poeta contemporâneo. E o que solicita dele uma ação contraditória, uma absurda práxis que só pode exercer-se em oximoro.

FM | O Brasil sempre foi muito acanhado ou mesmo ausente em relação a um tipo de evento literário que surge em nosso continente nos anos 1960, os encontros internacionais de poetas. A legitimidade desses eventos expressou sempre uma forma de resistência. Quando surgem no Brasil tratam de atrelar-se à outra margem da tradição, adotando as perspectivas de mercado. O que era para ser característica de uma reação, entre nossos escritores e intelectuais, se torna a adoção de um festejo de mercado. É outro evento, muito revelador de uma cultura, não resta dúvida. E o mecanismo adotado, muito feliz, pouco a pouco está banindo os poetas.

Para ver mais aqui clique aqui:

Conheça mais um poeta: Ignacio Carvajal

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Formas de expressar poesia na escrita e na fala em nossa contemporaneidade.

O slam. Você sabe o que é?

Fonte: https://caic.furg.br/pt/434-poesias-do-slam-enfeitam-os-corredores

Vamos ouvir um pouco:

ASSISTA, REFLITA EM SEGUIDA RESPONDA: ESTE TIPO DE POESIA (A FORMA QUE É FEITA NO VÍDEO) É SLAM? COMENTE.

Vamos ler para entender melhor sua origem e suas ideias por meio deste plano de aula:

Conteúdos

– Gênero literário – spoken word
– Preconceito linguístico e uso variado da língua
– Identitarismo: periferia, negritude, feminismo e LGBTQ+
– História e cultura da arte urbana

Objetivos

– Compreender o slam poesia como um gênero literário
– Discutir as questões de preconceito linguístico e social
– Conhecer o uso variado da língua em diversas situações
– Debater a apropriação do espaço urbano por jovens e setores marginalizados da sociedade
– Apreciar variadas modalidades de poesia

Série/ano:

8º e 9º anos do ensino fundamental II (segundo ciclo) e ensino médio

Apesar da sugestão de série/ano indicada, ao(à) professor(a) reserva-se a análise de apresentar ou reforçar determinado tema quando achar necessário. O conteúdo pode ser abordado em conjunto com a literatura contemporânea, história e literatura negra e afrodescendente, cultura popular, arte urbana e história do Brasil contemporâneo.

Previsão para aplicação:

4 aulas (50 minutos/aula)

1ª Etapa: Slam – um gênero literário

Slam é uma batalha de poesias e rimas que existe desde os anos 1980 e tem crescido cada vez mais no mundo e no Brasil, sobretudo no século XXI. Considerado por muitos um esporte, o slam tem batalhas nacionais e uma Copa do Mundo, onde finalistas de diversos países se encontram para escolherem qual a melhor poesia. Na última década, o Brasil tem apresentado suas manifestações, sobretudo entre os jovens periféricos, e traz consigo um forte teor auto afirmativo, identitário e de ocupação de espaços públicos.

Spoken word: a poesia falada

Slam poesia ou poetry slam é um tipo de poesia que faz parte do gênero spoken word ou, na tradução literal, palavra falada. Faz parte desse gênero toda a literatura que é pensada para ser declamada ou falada em público. É um gênero que vem desde a Antiguidade e Idade Média, como por exemplo os trovadores, mas que também aparece na cultura africana, os Griôs.

No caso dos trovadores, a poesia declamada tinha a função de contar casos ficcionais épicos e era feita em um momento em que não havia imprensa ou a disseminação da alfabetização na Europa dos séculos XI e XII. Na cultura africana, os Griôs ou Griots, são os mantenedores da história e da memória de determinado grupo social ou étnico. São os portadores do conhecimento antigo e são responsáveis por passá-los para as novas gerações de forma oral, preservando a história, a memória e a ancestralidade.

Nos anos 60, a poesia falada foi ressignificada pela geração beat, no Estados Unidos, fazendo parte das manifestações do movimento de contracultura e de reivindicação de direitos civis. Na década de 70, o rap, do inglês ritmo e poesia, nasceu entre a comunidade negra norte-americana, sobretudo em contato com a cultura jamaicana imigrante em Nova York. Para os poetas do rap, a letra se sobrepunha à melodia e a temática era o cotidiano de opressão nas grandes cidades, violência policial e afirmação de uma identidade étnica.

Slam: poesia falada marginal

slam surge em 1984, em Chicago, estado de Illinois, Estados Unidos. Até pouco tempo, Chicago tinha a particularidade de ser uma cidade muito industrializada. Em um bar de jazz, onde costumavam ocorrer declamações e saraus de poesia, o trabalhador da construção civil e também poeta Mark Smith teve a ideia de fazer uma “batalha de poesias”. Junto com seu grupo Chicago Poetry Ensemblange, ele cria o Show-Cabaré-Político-Vaudevilliano.

A ideia inicial de Smith era fazer uma brincadeira para ironizar a declamação academicista, elitista e formal. A batalha tinha a intenção de popularizar a poesia e realizar performances-poéticas que fossem mais concretas e menos abstratas, diferente daquelas dos saraus que atraíam mais os jovens de classe média. Dessa maneira, o slam acabou unindo a forma poética e as reuniões ocorridas para a realização dos saraus e, ao mesmo tempo, um público e uma plateia participativa, que torcia e se envolvia na poesia e na letra, e não apenas contemplava o poeta e sua obra.

O gênero se desenvolveu tão rápido nos Estados Unidos que apenas seis anos depois, em 1990, ocorreu o Primeiro Campeonato Nacional de Slam, em São Francisco. Em 2002, sua popularidade o levou ao Primeiro Campeonato Internacional, ocorrido em Roma. Após isso, são realizados campeonatos anuais na França nos quais os poetas apresentam poesias em suas línguas nativas, enquanto as traduções são feitas simultaneamente em um telão. A tecnologia é uma das aliadas desse gênero que viu sua popularização ocorrendo por meio de redes sociais e permitiu encurtar distâncias entre as comunidades. Atualmente, França e Alemanha têm as maiores comunidades slammers do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, sua terra natal.

Características do slam

As batalhas de slam ocorrem em praça pública ou em bares. Existem apenas três regras: as poesias devem ser autorais e não terem sido apresentadas em nenhuma outra batalha, devem durar no máximo três minutos e a performance deve contar apenas com a voz e/ou o corpo do poeta para se manifestar, sem usar adereços cênicos ou batidas musicais. O público escolhe o júri na hora, entre os que estão assistindo, que dão as notas imediatamente depois da apresentação sem debater, além de uma pessoa para calcular o tempo da poesia e a média obtida por cada poeta. A ordem das apresentações é sorteada entre as pessoas inscritas e a maior e a menor nota são descartadas para realizar a média e a pontuação final. Normalmente, o vencedor ganha um livro.

O limite de tempo visa democratizar a participação no evento. Ninguém interrompe um slammer quando esse ultrapassa o tempo, mas ele perde pontos na somatória final. Por se tratar de um trabalho em grupo ligado à comunidade, o slam não tem por objetivo inicial lançar poetas focados em uma única pessoa, apesar de acontecer também. No momento da batalha, no entanto, o limite de tempo evita a monopolização do espaço por parte de algumas pessoas. A proibição de adereços cênicos e de música visa fazer com que o poeta cative a plateia usando apenas a palavra, sua performance e seu corpo.

Apesar de ser uma competição, antes de tudo, as batalhas são uma celebração. As comunidades ou times se reúnem e o público é parte integrante da apresentação, intervindo a todo momento com vaias, aplausos, gritos ou participação no processo. Por serem orgânicos aos grupos e locais que surgem, os slams apresentam características de temática e do grupo social que o compõem. Nesse sentido, tanto a apresentação do poeta, quanto a plateia, contam com um elemento de auto representação. Os slammers contam sua própria história, usando suas palavras, aproximando a arte e a vida, criando uma estética própria e autêntica.

A palavra slam é uma onomatopeia em inglês usada para designar uma batida, como uma porta se fechando subitamente. A palavra mais aproximada na língua portuguesa para a expressão é “Blam!”, muito embora, por ser um demarcador de som, não haja necessidade alguma de tradução. Como o próprio nome, a poesia é marcada por fortes traços de oralidade e coloquialidade, tendo uma demarcação linguística informal. Por sua temática e forma, a poesia do slam pode ser considerada como marginal e essa pecha é autoproclamada por alguns grupos, como o Slam das Minas de São Paulo, que intitulou seu documentário com o lema usado pelos poetas marginais brasileiros dos anos 80: “Seja Heroína, Seja Marginal”.

Slam no Brasil: identitarismo e apropriação de espaços públicos

O slam chegou ao Brasil através da atriz e poeta Roberta Estrela D´Alva, em 2009. Estrela D´Alva faz parte do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos que juntos montaram o Slam ZAP! – Zona Autônoma da Palavra. Ele ocorre há dez anos em um bar no bairro da Pompéia, Zona Oeste de São Paulo. O segundo slam a ser formado no país foi o Slam da Guilhermina, em 2012, Zona Leste da cidade de São Paulo. Esse tem a característica de ocorrer em espaço ao ar livre, ao lado da estação de metrô, em uma praça pública aberta à toda comunidade da região e com fácil acesso ao restante da cidade.

A FLUP – Festa Literária das Periferias – ocorrida pela primeira vez em 2012, percorre favelas e comunidades do Rio de Janeiro em edições anuais e coloca como protagonistas de suas obras e publicações o escritor de origem periférica, valorizando temática, traços de linguagem e expressão, além de conseguir patrocínio ou financiamento para a publicação de obras. No Brasil, o slam se insere nesse processo de conquista crescente de espaço por grupos excluídos, oprimidos ou marginalizados e tem como principais protagonistas os jovens das periferias.

A partir de 2013, os slans se popularizaram no país, sendo formados em comunidades no interior de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Bahia. A responsabilidade dessa divulgação e disseminação da ideia das batalhas de poesia é do Slam Resistência, que ocorre na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo e faz uso das redes sociais para divulgar as batalhas, os poetas e as poesias.

O ano de 2013 foi marcado por movimentos de juventude em todo o país. Inicialmente contra o aumento do preço do transporte público, as manifestações atingiram outras demandas sociais, sobretudo da juventude e da periferia. Questões como saúde, educação, repressão, moradia e a realização da Copa do Mundo de Futebol, sediada no Brasil em 2014, foram pautas. Em contrapartida, houve repressão policial e do governo. O Slam da Resistência nasceu nesse contexto, uma vez que a praça era local de reunião de ativistas e advogados do movimento e se disseminou por ter poetas tratando exatamente dessas questões e dialogando com um sentimento geral da juventude naquele momento. O slam brasileiro se caracterizou a partir daí, por ser realizado em locais abertos, permitindo a entrada democrática de todas as pessoas e impondo aos pedestres que por ali passam a presença de grupos de jovens poetas e seu público. Não há qualquer rigidez ou imposição de temática aos slammers, mas existe uma tendência a tratar de temas como racismo e empoderamento de mulheres e jovens negros, repressão policial e violência do Estado, exclusão de direitos, sexualidade e temática LGBTQ+, feminismo, machismo e autoafirmação feminina.

Outros Slans, com temática específica, foram criados ou surgiram de comunidades. Em diversas cidades do país existem slans voltados exclusivamente para mulheres, onde homens são bem-vindos na plateia, mas não podem nem batalhar, nem ser jurados. Existem slans formados para tratar da temática negra e também grupos cujos poetas e jurados são da comunidade LGBTQ+. Outro slam temático é o “Slam do Corpo”, feito em Libras, por poetas surdos e traduzido simultaneamente em língua portuguesa.

Portanto, o slam é uma forma artística, cultural e social na qual os protagonistas, desde poetas e jurados, são os setores que foram silenciados constantemente pela sociedade. Através da arte, da poesia e da ocupação de espaços por pessoas de diferentes idades, crenças, orientações políticas e filosóficas, ocorre uma celebração coletiva, que é ao mesmo tempo uma batalha. É um momento de pausa e contemplação, mas também de afirmação e resistência. A poesia slam é autêntica, informal, coloquial e bem trabalhada, tanto do ponto de vista métrico e de temática, quanto em relação à performance executada que busca trazer o público para a apresentação.

Fonte: https://www.institutoclaro.org.br/educacao/para-ensinar/planos-de-aula/plano-de-aula-slam-poesia-falada/

Plano de aula para aplicar o slam na sala de aula

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Figuras de linguagem

Vamos praticar? Acesse o botão abaixo e teste seu conhecimento em relação às diversas figuras de linguagem!

Fonte: https://aprovadonovestibular.com/resumo-figuras-linguagem-exemplos-exercicios.html

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PODCAST – CONVIDADA A POETA SILVANA DUARTE

Episódio 16 – Vânia Moreira Trilhas Literárias

A convidada do episódio de número 16 é a poetisa Vânia Moreira, que nos dá a honra de ouvir como começou sua carreira, suas participações em antologias e movimentos poéticos e nos presenteia com poesias. — Send in a voice message: https://anchor.fm/edson-gomes4/message
  1. Episódio 16 – Vânia Moreira
  2. Episódio 15 – Tamiris Coelho
  3. Episódio 14 – Elaine Mascarenhas
  4. Episódio 13 – Jonathan Gleik (Cafeína 2.0)
  5. Episódio 12 – Ana Paula Toledo
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Franz Kafka: La condena

Era una mañana de domingo, en plena primavera Georg Bendemann, joven comerciante, estaba sentado en su dormitorio, en el primer piso de una de esas casas bajas y mal construidas que se elevaban a lo largo del río, que apenas se distinguían unas de otras por la altura y el color. Acababa de escribir una carta a un amigo de infancia que se encontraba en el extranjero, la cerró distraída y lánguidamente y, apoyando los codos sobre el escritorio, contempló por la ventana el río, el puente y las colinas de la otra orilla, con su pálida vegetación.

Pensaba en su amigo, que algunos años antes, disconforme con las perspectivas que su patria le ofrecía, se había ido a Rusia. Ahora tenía un negocio en San Petersburgo, que al principio había prosperado bastante, pero que desde tiempo atrás parecía decaer, según se deducía de las quejas que su amigo, en sus visitas cada vez más espaciadas, formulaba insistentemente. Por lo tanto, sus esfuerzos en el extranjero eran inútiles; la exótica barba larga no había logrado transformar totalmente su rostro tan familiar desde la infancia, cuyo tinte amarillento parecía revelar alguna enfermedad latente. Según él decía, no tenía mayores relaciones con la colonia de compatriotas en aquella ciudad ni tampoco amistades entre las familias del lugar, de modo que su destino parecía ser una definitiva soltería.

¿Qué se podía escribir a una persona así, que evidentemente había errado de camino, y a quien se podía compadecer, pero no ayudar? ¿Aconsejarle acaso que volviera a su patria, que se trasplantara nuevamente, que reanudara sus antiguas amistades —nada podía impedírselo— y se confiara en general a la benevolencia de sus amigos? Pero eso sólo hubiera significado decirle, y cuanto más amable, más ofensivamente, que todos sus esfuerzos habían sido vanos, que ya era hora de darse por vencido, que debía repatriarse y permitir que lo miraran eternamente como a un repatriado, con los ojos abiertos de asombro; que sólo sus amigos eran sensatos, que él era simplemente un niño adulto y que le convenía atenerse al consejo de sus amigos más afortunados porque no habían salido del país. ¿Y era acaso tan obvio que todos esos sufrimientos que se quería infligirle resultarían provechosos? Tal vez ni siquiera deseaba volver —él mismo decía que ya no estaba al corriente del estado de los negocios en su patria— y, por lo tanto, se quedaría en el extranjero a pesar de todo, amargado por los consejos, y cada vez más alejado de sus amigos. En cambio, si seguía estos consejos, y al llegar aquí se encontraba peor que antes —naturalmente, no por malicia, sino por la fuerza de las circunstancias—, no se sentía cómodo ni con sus amigos ni sin ellos, y en cambio se consideraba humillado, descubría de pronto que carecía tanto de patria como de amigos, ¿no sería mejor después de todo quedarse en el extranjero, como ahora? Considerando todas estas circunstancias, ¿se podía realmente dar por sentado que le convenía volver al país?

Por estos motivos, si uno deseaba mantener con él una relación epistolar, no podía impartirle noticias reales, ni siquiera las que se pueden comunicar sin temor a las más distantes relaciones. Ya hacía tres años que el amigo no venía al país, y se excusaba laboriosamente, alegando la inseguridad de la situación política en Rusia, que al parecer no permitía ni la más breve ausencia de un pequeño comerciante, mientras cientos de miles de rusos se paseaban tranquilamente por el mundo. Sin embargo, durante el transcurso de esos tres años las cosas habían cambiado mucho para Georg. Hacía más o menos dos años que la madre de Georg había muerto, y desde entonces éste vivía con su padre; por supuesto, el amigo se enteró de la noticia y expresó sus condolencias mediante una carta, con tal sequedad que uno tenía forzosamente que deducir que la tristeza provocada por semejante pérdida era completamente incomprensible en el extranjero. Pero, desde esa época, Georg se había aplicado con mayor decisión a sus negocios, así como a todo lo demás. Tal vez la circunstancia de que su padre, mientras vivió su madre, sólo permitía que las cosas se hicieran como a él le parecía, le había impedido una verdadera y eficaz actividad. Pero después de dicha muerte, aunque todavía se ocupaba algo de los negocios, el padre se había vuelto menos tiránico. Tal vez —y esto era lo más probable— una racha sostenida de suerte lo había ayudado; pero era evidente que durante esos dos años los negocios habían mejorado inesperadamente; se habían visto obligados a duplicar el personal, las entradas se habían quintuplicado e, indudablemente, el futuro le reservaba nuevos éxitos.

Pero su amigo no sabía nada de estas transformaciones. En otros tiempos, quizá por última vez en su carta de condolencia, había tratado de persuadir a Georg para que se fuera a Rusia y le había descrito detalladamente las perspectivas comerciales que San Petersburgo le ofrecía. Las cifras eran infinitesimales en comparación con el volumen actual de los negocios de Georg. Pero éste no había sentido deseos de revelar sus éxitos a su amigo, y hacerlo ahora habría parecido realmente extraño.

Por lo tanto, Georg se limitaba en todos los casos a poner a su amigo al corriente de sucesos sin importancia, los que uno puede recordar una tranquila mañana de domingo y que el azar trae a la mente. Sólo quería que la imagen que durante este largo intervalo su amigo se había formado de su ciudad natal, y con la cual vivía conforme, no se modificaran. Y así ocurrió que Georg le anunció tres veces seguidas, en tres cartas bastante separadas entre sí, el compromiso de un hombre sin importancia con una joven igualmente sin importancia, hasta que el amigo, contra todas las previsiones de Georg, comenzó a interesarse por ese notable acontecimiento.

Georg prefería escribirle estas cosas en vez de confesarle que él mismo estaba comprometido, desde hacía algunos meses, con la señorita Frieda Brandenfeld, una joven de familia acomodada. A menudo hablaba de su amigo con su novia y de la curiosa relación epistolar que los unía.

—Entonces, no vendrá a nuestro casamiento —decía ella—, y, sin embargo, yo tengo el derecho de conocer a todos tus amigos.

—No quiero importunarlo —contestaba Georg—; entiéndeme bien, él probablemente vendría, por lo menos así creo; pero se sentiría obligado e incómodo, tal vez me tendría envidia, y ciertamente se sentiría descontento e incapaz de hacer nada para mitigar su descontento, y luego debería retornar solo a Rusia. Solo; ¿comprendes lo que eso significa?

—Sí, pero ¿no se enterará por otros medios de nuestra boda?

—No puedo impedirlo; pero, considerando la vida que hace, es improbable.

—Si tenías semejantes amigos, Georg, no debiste comprometerte conmigo.

—Bueno, la culpa de eso es tan tuya como mía; pero ahora no quisiera por nada cambiar la decisión.

Y cuando ella, respirando agitadamente bajo sus besos, agregó:

—De todos modos, me preocupa —él pensó que realmente no perdería nada si confesaba todo a su amigo.

«Así soy y así me eligió —pensó—; no puedo dedicarme a crear una imagen de mí que parezca más apropiada que yo para su amistad.»

Y, en efecto, la larga carta que acababa de escribir esa mañana de domingo informaba a su amigo del éxito de su compromiso con las siguientes palabras: «Me reservé para el final la mejor noticia. Estoy comprometido con la señorita Frieda Brandenfeld, una joven de familia acomodada, que vino a vivir a esta ciudad mucho después de tu partida y a quien por lo tanto no puedes conocer. Ya tendré ocasión de darte más detalles sobre mi novia; hoy me limito a decirte que soy muy feliz y que el único cambio que esto provocará en nuestra relación de siempre es que, si hasta ahora has tenido un amigo como todos, ahora tienes un amigo feliz. Además, encontrarás en mi novia, que te saluda afectuosamente y que pronto te escribirá personalmente, una verdadera amiga, lo que siempre es algo para un muchacho soltero. Sé que muchos motivos te impiden venir a visitarnos, pero ¿no te parece que mi casamiento es la ocasión más apropiada para hacer a un lado todos esos obstáculos? De todos modos, sea como sea, haz como mejor te parezca, de acuerdo únicamente a tus intereses.»

Con esta carta en la mano, Georg permaneció largo rato sentado ante su escritorio, mirando hacia la ventana. Apenas había contestado con una sonrisa distraída el saludo de un conocido que pasaba por la calle.

Finalmente se metió la carta en el bolsillo y salió de la habitación; atravesó un breve corredor hasta llegar a la habitación de su padre, donde no había entrado durante meses. En realidad esto no era necesario, porque veía a su padre todos los días en el negocio y, además, a mediodía comían juntos en un restaurante; de noche cada uno hacía lo que quería, pero generalmente se quedaban un rato en la sala común, con sus respectivos diarios, a menos que Georg, como a menudo ocurría, saliera con sus amigos o, sobre todo en los últimos tiempos, fuera a visitar a su novia.

Georg se asombró de que el cuarto de su padre fuera tan oscuro, aun en una mañana de sol: tanta sombra daba la alta pared que limitaba el patiecito. El padre estaba sentado junto a la ventana, en un rincón adornado con diversos recuerdos de la difunta madre, y leía el diario sosteniéndolo un poco de costado ante los ojos, para compensar cierto defecto visual. Sobre la mesa estaban los restos del desayuno, del que parecía no haber aprovechado mucho.

—¡Ah, Georg! —dijo el padre, y se acercó para recibirlo.

Al andar, su pesada bata se abrió, y el amplio vuelo onduló susurrante en torno del anciano. «Mi padre es todavía un gigante», pensó Georg.

—Aquí está insoportablemente oscuro —dijo luego.

—Sí, está bastante oscuro —contestó el padre.

—¿Y tienes la ventana cerrada, además?

—Lo prefiero así.

—Afuera hace bastante calor —dijo Georg, como si continuara su observación anterior, y se sentó.

El padre recogió los platos del desayuno y los colocó sobre una cómoda.

—Sólo quería decirte —prosiguió Georg, que seguía con la mirada los movimientos de su padre, como si estuviera ausente— que he decidido enviar a San Petersburgo la noticia de mi compromiso.

Sacó del bolsillo un extremo de la carta y luego volvió a guardarla.

—¿A San Petersburgo? —preguntó el padre.

—Sí, a mi amigo —dijo Georg, buscando la mirada de su padre.

«En el negocio es otro hombre —pensó—; con qué solidez está aquí sentado, con los brazos cruzados sobre el pecho.»

—Sí. A tu amigo —dijo el padre con énfasis.

—Recordarás, padre, que al principio quise ocultarle mi compromiso. Por consideración hacia él; ése era el único motivo. Tú bien sabes que es una persona un poco quisquillosa. Pensé que podía enterarse por otras fuentes de mi compromiso, aunque, teniendo en cuenta su vida solitaria, eso no es muy probable; yo no podía evitarlo, pero de mí directamente no lo habría sabido nunca.

—Y, sin embargo, ¿ahora has cambiado otra vez de idea? —preguntó el padre, depositando su enorme periódico sobre el alféizar de la ventana y sobre el periódico las gafas, que cubrió con la mano.

—Sí, ahora he cambiado de idea. Si es realmente amigo mío, pensé, entonces, la felicidad de mi compromiso ha de ser también una felicidad para él. Y por lo tanto no me demoré en comunicárselo. Pero antes de enviar la carta quise decírtelo a ti.

—Georg —dijo el padre, abriendo su desdentada boca—, escúchame. Acudes a mí para hablarme de este asunto. Eso indudablemente te honra. Pero no sirve de nada, desgraciadamente no sirve de nada, si no me dices, además, toda la verdad. No quiero sacar a relucir cuestiones que no vienen al caso. Pero, desde la muerte de nuestra querida madre, han ocurrido ciertas cosas realmente desagradables. Quizá llegue alguna vez el momento de mencionarlas, y tal vez mucho más pronto de lo que pensamos. En el negocio hay muchas cosas que escapan a mi conocimiento, aunque esto no quiere decir que me las oculten (no pretendo insinuar ahora que me las ocultan), ya no soy tan capaz como antes, me falla la memoria, no puedo estar al corriente de todo. En primer lugar, esto se debe al ineludible proceso natural, y en segundo lugar, la muerte de nuestra querida madrecita ha sido para mí un golpe mucho más fuerte que para ti. Pero prefiero no alejarme de este asunto, de esta carta; por lo tanto, Georg, te ruego que no me engañes. Es una trivialidad, no vale la pena ni mencionarla; por eso mismo no me engañes. ¿Existe realmente ese amigo tuyo en San Petersburgo?

Georg se puso de pie, desconcertado.

—Dejemos en paz a mi amigo. Mil amigos no reemplazarían a mi padre. ¿Sabes qué pienso? Que no te cuidas bastante. La ancianidad exige ciertas consideraciones. Eres para mí indispensable en el negocio, lo sabes perfectamente; pero si el negocio es perjudicial para tu salud, mañana mismo lo cierro para siempre. Y eso no nos conviene. No puedes seguir viviendo como vives. Debemos introducir un cambio radical en tus hábitos. Te quedas aquí sentado, en la oscuridad, cuando en la sala hay tanta luz. Apenas pruebas el desayuno, en vez de alimentarte como corresponde. Te quedas junto a la ventana cerrada cuando el aire te haría tanto bien. ¡No, padre! Llamaré al médico, y seguiremos sus indicaciones. Cambiaremos de habitación: pasarás al cuarto de delante, y yo a éste. No advertirás el cambio, porque mudaremos también todas tus cosas. Pero hay tiempo para todo eso; por ahora, descansa un poco en la cama, seguramente necesitas reposo. Ven, te ayudaré a desvestirte, ya verás como puedo. O si prefieres ir ya a la pieza de delante, puedes acostarte por ahora en mi cama. Sería lo más sensato.

Georg estaba junto a su padre, que había dejado caer sobre el pecho la cabeza de revueltos cabellos blancos.

—Georg —dijo el padre en voz baja, sin moverse.

Georg se arrodilló inmediatamente junto a su padre; al mirar su fatigado rostro comprobó que las dilatadas pupilas lo contemplaban de reojo.

—No tienes ningún amigo en San Petersburgo. Siempre has sido un bromista y también conmigo has querido bromear. ¿Cómo podrías realmente tener un amigo allá? No puedo creerlo.

—Haz un esfuerzo de memoria —dijo Georg, levantando de la silla al padre y quitándole la bata, mientras el anciano se sostenía débilmente en pie—; pronto hará tres años que mi amigo vino a visitarnos. Recuerdo todavía que no le tenías mucha simpatía. Por lo menos dos veces te oculté su presencia, aunque en realidad se encontraba conmigo en mi habitación. Tu antipatía hacia él me resultaba perfectamente comprensible, ya que mi amigo tiene sus peculiaridades. Pero luego te llevaste bastante bien con él. Me sentía tan orgulloso de que lo escucharas, que estuvieras de acuerdo con él y le hicieras preguntas. Si piensas un poco, lo recordarás. Nos contaba las más increíbles historias de la Revolución rusa. Por ejemplo, cuando vio, durante un viaje de negocios a Kiev, a un sacerdote en un balcón, en medio de un tumulto, que se cortó una cruz sangrienta en la palma de la mano, y luego alzó la mano y habló a la multitud. Tú mismo has contado algunas veces esa historia.

Mientras tanto, Georg había logrado sentar nuevamente a su padre y quitarle con toda delicadeza los pantalones de lana que usaba por encima de los calzoncillos, lo mismo que los calcetines. Al contemplar el dudoso estado de limpieza de la ropa interior, se reprochó su descuido. Era indudablemente uno de sus deberes cuidar de que su padre no careciera de mudas de ropa interior. Todavía no había decidido con su futura esposa qué harían con su padre, porque tácitamente habían dado por sentado que el padre seguiría viviendo solo en el antiguo apartamento. Pero ahora decidió, de pronto, que su padre viviría con ellos, en su futura casa. Considerándolo más atentamente, hasta era posible que los cuidados que pensaba prodigar a su padre llegaran demasiado tarde.

Llevó en sus brazos al padre hasta la cama. Experimentó una sensación terrible al advertir que durante el breve trayecto hasta la cama el padre jugaba con la cadena de reloj que cruzaba su pecho. Ni siquiera podía acostarlo, tan firmemente se había aferrado a la cadena.

Pero en cuanto el anciano se acostó, todo pareció arreglado. Él mismo se cubrió y se subió las mantas mucho más arriba de los hombros, lo que era insólito en él. Luego miró a Georg, con ojos más bien amistosos.

—¿No es cierto que ahora comienzas a acordarte de él? —preguntó Georg con un movimiento cariñoso de la cabeza.

—¿Estoy bien cubierto? —preguntó el padre, como si no pudiera ver si tenía los pies debidamente tapados.

—Ya te sientes mejor, en la cama —dijo Georg, y le acomodó la ropa.

—¿Estoy bien cubierto? —preguntó nuevamente el padre; parecía extraordinariamente interesado en la respuesta.

—No te preocupes, estás bien cubierto.

—¡No! —exclamó el padre, interrumpiéndolo.

Arrojó las mantas con tal fuerza que en un instante se desparramaron totalmente y se puso de pie en la cama. Con una sola mano se apoyó ligeramente en el cielo raso.

—Tú quisieras cubrirme, lo sé, mi pequeño vástago; pero todavía no estoy cubierto. Y aunque sean mis últimas fuerzas, para ti son suficientes, demasiadas casi. Conozco muy bien a tu amigo. Habría sido para mí un hijo predilecto. Por eso mismo tú lo traicionaste, año tras año. ¿Por qué si no? ¿Crees que no lloré nunca por él? Por eso te encierras en el escritorio, nadie puede entrar, el Jefe está ocupado; para escribir tus falsas cartas a Rusia. Pero por suerte un padre no necesita aprender a leer los pensamientos de su hijo. Cuando creíste que lo habías hundido, que lo habías hundido tanto que podías sentar tu trasero sobre él y que él ya no se movería, entonces mi señor hijo decide casarse.

Georg contempló la horrible imagen conjurada por su padre. El amigo de San Petersburgo, a quien su padre repentinamente conocía tan bien, impresionó su imaginación como nunca. Lo vio perdido en la vasta Rusia. Lo vio ante la puerta del negocio vacío y saqueado. Entre los escombros de los mostradores, de las mercaderías destrozadas, de dos picos rotos de gas, lo vio perfectamente. ¿Por qué se habría ido tan lejos?

—Pero escúchame —gritó el padre.

Georg, casi enloquecido, se acercó a la cama para enterarse definitivamente de todo, pero se detuvo a mitad de camino.

—Porque ella se levantó las faldas —comenzó a decir el padre con voz aflautada—, porque ella se levantó las faldas así, la inmunda cochina —y, como ilustración, se alzó la camisa tan alto que podía verse en el muslo su herida de la guerra—, porque ella se levantó las faldas así y así, te entregaste totalmente; y para gozar en paz con ella mancillaste la memoria de nuestra madre, traicionaste al amigo y tendiste en el lecho a tu padre para que no pueda moverse. Pero ¿puede o no puede moverse?

Y se irguió sin apoyarse en nada, y levantó las piernas. Resplandecía de perspicacia.

Georg permanecía en un rincón, lo más lejos posible de su padre. En otra época, había decidido firmemente observar todo con detención, para que nadie pudiera atacarlo indirectamente, ya fuera desde atrás o desde arriba. Recordó esa olvidada decisión y volvió a olvidarla, como cuando uno pasa un hilo corto por el ojo de una aguja.

—Pero ¡tu amigo no fue traicionado, sin embargo! —exclamó el padre, lanzando estocadas con el índice para mayor énfasis—. ¡Yo era su representante aquí!

—¡Comediante! —no pudo dejar de exclamar Georg; inmediatamente comprendió su error y ya demasiado tarde se mordió la lengua, con los ojos desorbitados, hasta sentir que las rodillas le flaqueaban de dolor.

—¡Sí, es claro que representé una comedia! ¡Comedia! ¡Excelente palabra! ¿Qué otro consuelo le quedaba al pobre padre viudo? Dime y trata de ser, por lo menos durante el instante de la respuesta, lo que alguna vez fuiste, mi hijo viviente: ¿qué otra cosa podía hacer yo, en mi cuarto del fondo, perseguido por un personal desleal, viejo hasta los huesos? Y mi hijo se paseaba jubilosamente por el mundo, concluía operaciones que yo había previamente preparado, no cabía en sí de satisfacción y se presentaba ante su padre con una expresión impenetrable de hombre importante. ¿Crees que yo no te habría querido, yo, de quien tú quisiste alejarte?

«Ahora se inclinará hacia adelante —pensó Georg—; si se cayera y se rompiera los huesos.» Estas palabras silbaban a través de su mente.

El padre se inclinó hacia adelante, pero no se cayó. Al ver que Georg no se acercaba, como había esperado, volvió a erguirse.

—Quédate donde estás; no te necesito. Te crees que todavía tienes fuerza suficiente para acercarte y que te quedas atrás sólo porque así lo deseas. Ten cuidado de no equivocarte. Sigo siendo el más fuerte. Yo solo tal vez hubiera tenido que relegarme al olvido; pero tu madre me transmitió hasta tal punto su fuerza, que establecí una estrecha relación con tu amigo, y tengo metidos a todos tus clientes en este bolsillo.

«Hasta en la camisa tiene bolsillos», pensó Georg, y creyó que con esa simple observación bastaba para ridiculizarlo ante el mundo entero. Lo pensó apenas un instante y luego siguió olvidando todo.

—Cuélgate del brazo de tu novia y atrévete a presentarte ante mí. ¡La arrancaré de tu lado, no te imaginas cómo!

Georg hizo una mueca de incredulidad. El padre se limitó a asentir, confirmando la veracidad de sus palabras, hacia el rincón donde estaba Georg.

—¡Qué gracia me causaste hoy, cuando viniste y me preguntaste si podías anunciar tu compromiso a tu amigo! ¡Él ya sabe todo, estúpido niño, ya sabe todo! Yo le escribí, porque te olvidaste de quitarme mis implementos de escribir. Por eso no viene desde hace tantos años, porque sabe todo lo que ocurre cien veces mejor que tú; con la mano izquierda rompe tus cartas, sin leerlas, mientras con la derecha abre las mías.

Entusiasmado, agitó el brazo sobre la cabeza.

—¡Sabe todo mil veces mejor! —gritó.

—¡Diez mil veces! —dijo Georg para burlarse de su padre, pero antes de salir de su boca las palabras se convirtieron en una nefasta certeza.

—Desde hace años espero que vengas con esa pregunta. ¿Crees acaso que me importa alguna otra cosa en el mundo? ¿Crees acaso que leo diarios? ¡Toma! —y le arrojó un periódico que inexplicablemente había traído consigo a la cama.

Era un diario viejo, de nombre totalmente desconocido para Georg.

—¡Cuánto tiempo has tardado en abrir los ojos! La pobre madre murió antes de ver ese día de júbilo; tu amigo está muriéndose en Rusia, ya hace tres años estaba amarillo como un cadáver, y yo ya ves cómo estoy. Para eso tienes ojos.

—Entonces, ¿me acechabas constantemente? —exclamó Georg. 

Compasivo, sin darle importancia, dijo el padre:

—Seguro que hace mucho que querías decirme eso. Pero ya no importa. 

Y luego con más voz:

—Y ahora sabes que hay otras cosas en el mundo, porque hasta ahora sólo supiste las que se referían a ti. Es cierto que eras un niño inocente, pero mucho más cierto es que también fuiste un ser diabólico. Y por lo tanto escúchame: ahora te condeno a morir ahogado.

Georg se sintió expulsado de la habitación; resonaba todavía en sus oídos el golpe con que su padre se dejó caer sobre la cama. En la escalera, sobre cuyos escalones pasó como sobre un plano inclinado, tropezó con la criada, que subía a efectuar la limpieza matutina del apartamento.

—¡Jesús! —gritó ésta, y se cubrió la cara con el delantal, pero Georg ya había desaparecido.

Salió corriendo y cruzó la calle hacia el agua. Ya estaba aferrado a la baranda, como un hambriento a su comida. Saltó por encima, como correspondía al distinguido atleta que, para orgullo de sus padres, había sido en años juveniles. Se sostuvo un instante todavía, con manos cada vez más débiles; espió entre los barrotes de la baranda la llegada de un autobús, cuyo ruido cubriría fácilmente el ruido de su caída; exclamó en voz baja: «Queridos padres, a pesar de todo, siempre os he amado», y se dejó caer.

En ese momento una interminable fila de vehículos pasaba por el puente.

[22-23 de septiembre de 1912]


© Franz Kafka: Das Urteil (La condena). Publicado en Arcadia, 1913. Traducción de Juan Rodolfo Wilcock. | Cuento completo.

https://lecturia.org/cuentos-y-relatos/franz-kafka-la-condena/4214/
Publicado en 4º Estágio Nível 2, 5º e 6º Estágio Nível 2, POEMAS/CONTO/ LITERATURA AFINS

POEMA A VANCOUVER

Lucia  Aguilar.

Publicado en el Libro
ATARDECER DE LA VIADA.: Testimonios de siete mujeres Latinoamericanas residentes en Vancouver Canadá . 2016

By Esther   Frid.

A   VANCOUVER

Vancouver, ciudad moderna

construida junto al mar,

con edificios que brillan

como gotas de cristal.

Tu eres la joya preciosa

que por toda tu hermosura,

resaltas entre todas las ciudades

de este inmenso país

que se llama Canadá.

En tu regia  vestidura,

portas, soberbio broche esmeralda

Tu Stanley Park, primoroso

con su “Laguna Perdida”

como una princesa dormida,

con los arrullos del mar.

En English Bay  tus ocasos

tienen mágico esplendor,

tiñendo de oro y nacar

las aguas del mar azul.

Por el Puente de Los Leones

corre el agua que va al mar,

y el murmullo de esas aguas

es para mis oídos,

como un canto angelical.

Mi sorpresa, grande fue

cuando conocí tus ríos,

que como arterias vivientes

te llenan de verde frescura.

El sonriente “Capilano”

que baja de tus montañas

entre bosques milenarios,

y el caudaloso “Rio Fraser”

como cinturón de plata

contornea tu litoral.

Cada año me deslumbras,

cuando ofreces a mis ojos

la euforia de tus colores ,

en tus azaleas y rododendros,

narcisos y tulipanes,

y me embriaga el aroma

de tus tiernas hycintas,

pero quedo embelesada

cuando extiendes

por tus calles y avenidas,

la mantilla sonrosada

de tus cerezos en flor.

Vancouver

No solo eres hermosa,

para mi haz sido

como una madre amorosa,

que me acunó  en sus brazos,

y en el místico silencio

de tus bosques y jardines,

se cerraron mis heridas

y encontró paz mi alma

para formar, un nuevo hogar.

Mi vida fue como un árbol

trasplantado tardíamente,

pero tu suelo fecundo

lo nutrió con nueva sabia

y de mis exhaustas ramas

vi nacer los nuevos

y radiantes brotes,

que son mis nietos y bisnietos

que me llenan de alegría.

Vancouver,

Mi hogar querido,

donde me trajo el destino

y mis días terminare.

Estoy frete a tus montañas

que cada invierno te tiñen

con su corona de nieve

y con voz firme,

pronuncio mi último deseo:

que ellos sean

mi eterna urna funeraria

y entre sus brumas y nieves

descanse ya, para siempre.